sexta-feira, 2 de maio de 2014

Gabriela Amorim - Simplesmente….Mãe!


Deixo aqui um poema de José Luís Peixoto que gosto particularmente, pese embora não reflicta a relação que tenho com a minha mãe. Uma relação visceral de amizade, empatia e muito, mas muito humor negro.

 "mãe, tenho pena. esperei sempre que entendesses as palavras que nunca disse e os gestos que nunca fiz. sei hoje que apenas esperei, mãe, e esperar não é suficiente.

 pelas palavras que nunca disse, pelos gestos que me pediste tanto e eu nunca fui capaz de fazer, quero pedir-te desculpa, mãe, e sei que pedir desculpa não é suficiente.

  às vezes, quero dizer-te tantas coisas que não consigo, a fotografia em que estou ao teu colo é a fotografia mais bonita que tenho, gosto de quando estás feliz.

 lê isto: mãe, amo-te.

  eu sei e tu sabes que poderei sempre fingir que não escrevi estas palavras, sim, mãe, hei-de fingir que não escrevi estas palavras, e tu hás-de fingir que não as leste, somos assim, mãe, mas eu sei e tu sabes."

 José Luís Peixoto, in "A Casa, a Escuridão"


Podem ver o passo a passo deste Postal aqui.




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